Nos dias atuais é visível o aumento de publicações sobre grupos focais em revistas científicas, assim como da utilização desta técnica de pesquisa, tanto para servir a interesses teóricos em diversos campos do conhecimento (ciências sociais, educação, psicologia, etc.), quanto para viabilizar objetivos práticos de profissionais que usam os grupos focais como instrumento de gestão (Carlini-Cotrim, 1996; Morgan, 1987,1996; Gondim, 2002b). Na literatura brasileira, no entanto, ainda há um esparso número de artigos que discutem e explicitam, de modo mais detalhado, o emprego dessa técnica e os procedimentos de análise dos resultados.
O conciliar aspectos sociais, ideológicos e produtivos, visto que a adesão a valores coletivos é necessária, porém insuficiente para garantir a capacidade de autogestão, o que exige um duplo preparo dos cooperados: o de gestor social (co-partícipe do processo de gestão) e o de técnico-profissional (competência produtiva). Conforme a fase em que se encontra o processo de incubação, a ênfase da formação deverá recair no aspecto social (preparar o grupo para trabalhar de forma coletiva), técnico-gerencial (qualificar o grupo para o domínio técnico da atividade e da autogestão) ou ideológico (organizar e mobilizar o grupo para aderir aos princípios da economia solidária), sendo que estes três aspectos estão inter-relacionados e deverão oscilar, dependendo das necessidades da cooperativa e do perfil dos cooperados.
Há uma diferenciação na identidade organizacional de trabalhadores pertencentes a cooperativas populares de trabalho, que buscam manter relações laborais horizontais, em comparação àqueles que mantêm relações empregadoras verticais, baseadas no modelo hierárquico patrão-empregado.
Há duas principais abordagens na produção do conhecimento científico nas ciências sociais: a nomotética ou quantitativa e a hermenêutica ou qualitativa. A quantitativa enfoca a relação entre a ciência social e a natural, valoriza a mensuração e o tratamento estatístico das variáveis como meios para a construção do conhecimento válido e generalizado. Na abordagem qualitativa, o enfoque, por sua vez, é na compreensão de um contexto particular, respaldando-se na interpreta-ção, na busca de significado, na subjetividade e na intersubjetividade (Gondim,2002b, Kidd, 2002).
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